História

A história do edifício onde hoje se encontra o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos remonta ao séc. XV, quando em 1490 as Comendadeiras de Santiago - comunidade constituída pelas viúvas e filhas solteiras dos Cavaleiros de Santiago - sob a proteção do Rei D. João II, se transferiram do edifício que ocupavam em Santos-o-Velho.

No séc. XVII foi casa provisória dos Barbadinhos Italianos de Nossa Senhora dos Anjos e daí o atual Centro de Reabilitação terá herdado o seu nome.

Em Julho de 1742, Lázaro Leitão Aranha (sacerdote natural de Lisboa, que foi condutário com privilégios de lente na Universidade de Coimbra, por provisão de 14-III-1707 e que foi desembargador dos Agravos, secretário da embaixada enviada a Clemente XI, deputado da Mesa da Consciência e cónego patriarcal) comprou o edifício a D. João V e fundou em 1747 o recolhimento com o seu nome, dando corpo a uma tradição lisboeta de fundações privadas com fins sociais. O Recolhimento de Nossa Senhora dos Anjos foi fundado para acolher viúvas nobres, pobres e honestas e meninas nobres.

Em 1945 foi integrado no Instituto de Assistência aos Inválidos, destinado a acolher viúvas ou filhas de oficiais e de altos funcionários do Estado.

No dia 2 de Fevereiro de 1955, foi inaugurado o Lar de Nª Sª dos Anjos, como sendo um Centro de trabalho para raparigas cegas que funcionava como uma dependência do Asilo de Velhos de Marvila.

 

Em 27 de Maio de 1962 o Lar foi substituído pelo Centro de Reabilitação Nª Sª dos Anjos para deficientes visuais com cegueira recente. Norteado por um modelo de intervenção de vanguarda, implementado por um perito americano em reabilitação de cegos, enviado pelo Bureau International du Travail, que permaneceu em Portugal 18 meses dando formação e organizando a estrutura de funcionamento do CRNSA.

O Centro entrou em funcionamento com um programa estruturado para servir cegos recentes. Rapidamente, por carência de outros serviços adequados, começou a admitir cegos congénitos e cegos de longa data.

Desde então, reabilitou cerca de 2000 pessoas, numa média de 40 utentes por ano. O modelo de intervenção, mantendo algumas das suas características estruturais, tem vindo a ser atualizado, quer pela introdução de novas disciplinas que acompanham a evolução tecnológica, quer por uma visão da pessoa portadora de deficiência cada vez mais igualitária e humanista.