"Uma Luz na Escuridão"

Chamei a esta exposição "Uma Luz na Escuridão", pois queria que quem a visse pudesse avaliar o trabalho de alguém que fotografa por instinto.

Ao longo desta exposição os visitantes terão uma experiência muito particular. Vão entrar num mundo onde tudo o que irão ver foi tirado por uma pessoa cega.

Sintam esta exposição como uma viagem por uma realidade diferente.

Espero que apreciem e que seja do vosso agrado.

 

PENSAMENTOS

A fotografia para mim é um processo ao qual dou a maior importância.

Quando capto as fotografias tento ter a minha mente livre de pensamentos. Assim posso captar apenas os sons e os cheiros que me rodeiam.

Poderão pensar que a fotografia para alguém que não vê, possa ser algo muito estranho. Mas para mim é uma terapia, pois serve um pouco de escape para a minha imaginação.

Gostaria apenas de mostrar que a verdadeira beleza é aquela que não se vê mas a que
se sente.

A minha maior preocupação quando estou a fotografar é apenas deixar-me levar pelas emoções.

Se tivesse que me descrever poderia dizer que sou alguém que adora a vida de uma forma muito natural. Gosto de apreciar tudo o que a vida tem para oferecer, sem restrições nem obstáculos.

A vida deve ser vivida de uma forma muito intensa para que possamos tirar maior partido da mesma.

Quando me empenho numa situação gosto de me aplicar, para que possa ter resultados mais eficazes.
Sou também uma pessoa muito interessada em muitos assuntos.

Como diz um velho ditado popular: «Aprender até morrer».

Uma das minhas paixões é a fotografia, gosto da fotografia pois é algo que me dá muito prazer. Sinto, através da fotografia, uma realização pessoal. Devo dizer que a fotografia para mim é uma forma de expressão.

Por estranho que pareça desde que perdi a visão sinto-me uma pessoa muito mais Humana e muito mais sensível.

A fotografia pode ser uma forma de terapia muito relaxante.

Para se poder captar melhor tem que se estar muito concentrado para que a imagem tenha uma maior clareza. Tem que se ouvir os sons que nos rodeiam, os cheiros que nos envolvem mas acima de tudo ter um pensamento muito limpo.

Poderão achar estranho alguém que não vê, ter uma paixão pela fotografia, mas gostaria que tentassem tirar uma foto de olhos fechados e procurassem sentir os vários sinais que vos rodeiam, e assim poder ter uma imagem pura e sem preparação.
Quando se tira uma fotografia desta forma temos uma perceção totalmente diferente de qualquer outra experiência.

Posso estar a ser muito repetitivo mas como se costuma dizer todos diferentes mas todos iguais.

Sou alguém, que apesar de não ter o sentido da visão, tenho os outros sentidos mais apurados. Desta forma, tenho uma capacidade mais absorvente no que diz respeito aos outros sentidos.

Tenho tido a perceção de que quando alguém que vê, tira fotografias, tende a captar as fotos de uma forma muito perfeita: achar o ângulo correcto, a luz certa, para que saia tudo bem. Aquilo que eu tento fazer é fotografar de uma forma mais simples e pura.

Sou um sonhador e ainda acredito na felicidade.

Vejo o meu mundo de uma maneira mais pessoal na maior parte dos casos, não tenho a perceção do que estou a fotografar, por isso, acabo por fotografar não apenas as imagens mais bonitas. Na minha fotografia não existe uma escolha de perfeição; tento assim ser o mais real possível.

Lisboa, 10 de Maio de 2012
Paulo Jorge Almeida

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